Desde que comecei a voar meu objetivo sempre foi fazer voos internacionais. Não que o Brasil não seja grande e apaixonante, mas sempre fui curiosa, sempre gostei de história e meu sonho era estar nos lugares que eu via em filmes e livros.
Para mim o auge, o must, o tudo de bom, os píncaros da glória da carreira do comissário é quando ele pega um voo para Paris. Isso já foi mostrado inclusive no filme Voando Alto, com a Gwyneth Paltrow. Por que Paris e não New York, Roma ou Londres? Todos esses lugares exercem fascínio em todo mundo e eu particularmente prefiro Londres "a nivel de" cidade hehehe... Mas isso é assunto para outro post.
Mas Paris tem carisma, tem apelo, tem charme. Só o nome já nos transporta para um mundo lindo e sofisticado... Paris! Imagine você anunciando para sua família que vai para Paris. Imagine a cara de espanto dos seus amigos ao saberem disso! Imagine a cara de tacho dos seus inimigos!
É muito phyno, muito sophistikeide dizer que você não vai estar disponível no fim de semana porque está indo para Paris. Mas a verdade é que com o passar do tempo se torna cansativo tentar convencer as pessoas de que você não é metida a besta nem esnobe, porque IR PARA PARIS FAZ PARTE DO SEU TRABALHO, POHAMMM!!! Quantas vezes eu tive vontade de dizer que ia para Macapá ao ser perguntada para onde seria meu próximo voo, só para não ter que escutar as mesmas piadinhas de sempre.
Meu primeiro voo para a cidade-luz foi um acontecimento na família. Eu já tinha estado em Paris uma vez aos 14 anos com meus pais e meu irmão. Mas a perspectiva é bem diferente quando se é uma mulher adulta, e ainda por cima ir tripulando um voo.
Minha avó desencavou de seus guardados casacos, luvas e uma espécie de echarpe de pele de algum animal, que tinha numa extremidade a cabeça do bichinho, e na outra o rabo e as patas traseiras. Jesus! Até convence-la de que eu seria linchada nas ruas se saísse com esse modelito que era super in em outras eras mas completamente inadequado agora demorou!
Minha mãe me fez levar um guia da cidade, dos pontos turísticos, dos museus, etc. Apesar do lay over ser de pouco mais de 24 horas. Mas nada disso foi preciso. Os colegas mais antigos curtem quando tem um novato na tripulação. Gostam de dar todas as dicas de onde comer, onde comprar, como se locomover. É bacana ver o brilho nos olhos do neófito! A gente fica se sentindo!
Uma das melhores coisas de Paris é o metrô. Ele te leva para absolutamente TODOS os lugares da cidade e não é dificil de se orientar. Até para pessoas sem nenhum senso de direção, como esta que vos escreve. É tudo muito bem sinalizado: as estações, as correspondences que são as baldeações que a gente deve fazer. Depois de algumas vezes você já se sente um parisiense! E com isso fica mais confiante para bater perna pela cidade.
Perdi a conta das vezes em que fui a Paris. Já fui em voo direto e em voo com escala. Já fiz voo com dias inativos e voo só com pernoite. Já fiz voos diurnos, noturnos, já fui de tripulante extra. Em todas as vezes aproveitei ao máximo.
Uma vez era segunda feira e o museu do Louvre estava fechado para limpeza. Resolvi ir ao cemitério. Em Paris tem o Cemitério Pére-Lachaise, atração turística onde estão enterrados Alan Kardec, Edith Piaf, Jim Morrison entre outros.
Fomos eu e uma colega, foi um ótimo passeio para uma segunda feira. Nunca gostei de sair em bando. Os melhores programas que eu fiz foram em duas ou três pessoas no máximo. Mais do que isso é multidão. Cada um quer fazer uma coisa diferente, cada um tem seu ritmo e fatalmente alguns saem prejudicados.Experiência própria! Fica a dica!
"Pensei que era moleza mas foi pura ilusão
Conhecer o mundo inteiro sem gastar nenhum tostão"
(Melô do Marinheiro - Os Paralamas do Sucesso)
Esse blog é dedicado a todos que voam, que já voaram e que sonham em voar!
sábado, 5 de janeiro de 2013
domingo, 30 de dezembro de 2012
Mistérios da aviação
A porta do banheiro do avião e seus mistérios...
Como abrir? Por que passamos a sofrer de oligofrenia diante dela? Por que nossos olhos não focalizam a maçaneta? Por que nossa mente se desorganiza diante dessa porta?
Ilusionismo? Auto-sugestão? Paranormalidade? Ou imbecilidade pura e simples?
Fonte: Aeromoça Indelicada-Facebook
sábado, 8 de dezembro de 2012
Voando no Natal
A escala de Dezembro já deve ter saído para a maioria dos tripulantes. Se não fizeram a cachorrada de publicar só a primeira quinzena e deixar todo mundo roendo as unhas por mais uma semana.
Voar nas festas de fim de ano é um dos pontos negativos da profissão. Por mais que você se diga desapegado de família e datas comemorativas, ser obrigado a passar o Natal com desconhecidos não é exatamente o melhor programa. Bate aquela sensação de cão sem dono. Enquanto todo mundo faz planos, seja para estar com a família e amigos, seja para viajar para um lugar distante por opção, o tripulante está à mercê da programação que a escala de voo apresenta.
É verdade que o critério senioridade é levado em conta na hora de conceder as folgas de Natal e Ano Novo. Mas com tantos pedidos e choradeiras, às vezes isso não é possível e não é tão raro o "novinho" ganhar folga nas festas e o "antigão" voar Natal e Ano Novo. E aí não adianta chorar.
Já passei mais de um Natal voando, e Ano Novo também. Nem sempre feliz da vida, nem sempre com quem eu queria estar. Faz parte. É o outro lado do glamour.
Desejo a todos que vão estar trabalhando esse final de ano, um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de prosperidade!!! E que encontrem Papai Noel pelos céus do mundo!
Para aqueles que desejam voar, espero que em 2013 seu desejo se realize e vocês estejam engrossando a fileira dos ansiosos pela escala de Dezembro.
Para os que perderam as asas, desejo que Papai Noel traga logo um novo par de asas, mais lindo e mais potente do que o antigo, para poder voar mais longe!
Voar nas festas de fim de ano é um dos pontos negativos da profissão. Por mais que você se diga desapegado de família e datas comemorativas, ser obrigado a passar o Natal com desconhecidos não é exatamente o melhor programa. Bate aquela sensação de cão sem dono. Enquanto todo mundo faz planos, seja para estar com a família e amigos, seja para viajar para um lugar distante por opção, o tripulante está à mercê da programação que a escala de voo apresenta.
É verdade que o critério senioridade é levado em conta na hora de conceder as folgas de Natal e Ano Novo. Mas com tantos pedidos e choradeiras, às vezes isso não é possível e não é tão raro o "novinho" ganhar folga nas festas e o "antigão" voar Natal e Ano Novo. E aí não adianta chorar.
Já passei mais de um Natal voando, e Ano Novo também. Nem sempre feliz da vida, nem sempre com quem eu queria estar. Faz parte. É o outro lado do glamour.
Desejo a todos que vão estar trabalhando esse final de ano, um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de prosperidade!!! E que encontrem Papai Noel pelos céus do mundo!
Para aqueles que desejam voar, espero que em 2013 seu desejo se realize e vocês estejam engrossando a fileira dos ansiosos pela escala de Dezembro.
Para os que perderam as asas, desejo que Papai Noel traga logo um novo par de asas, mais lindo e mais potente do que o antigo, para poder voar mais longe!
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Histórias de mala
Todo tripulante ganha da empresa como parte do uniforme as malas que ele usará quando estiver a serviço. Geralmente são duas, uma grande e uma pequena, fora o porta casacos que em alguns casos serve para carregar mais do que casacos hehehe...
A mala maior é usada em voos internacionais pelo tempo que passamos fora e pelo fato de que no inverno temos que levar roupas mais volumosas.
As empresas não permitem que tripulantes portem malas diferentes daquelas que eles dão. Também é proibido ao tripulante portar objetos fora da mala tipo sacolas ou coisas grandes demais para caber nas mesmas. Então a gente tem que se virar com o espaço que nos permitem.
Meus primeiros voos para Miami foram uma orgia de compras desenfreada! Tudo que eu via eu achava que precisava e tinha que ter, e confesso que muitas das coisas compradas no calor do momento se revelaram sem qualquer utilidade prática e acabaram jogadas num canto e se não encontrasse ninguém para doar iam para o lixo.
Normal. A gente fica como criança em loja de brinquedos tamanha a variedade de coisas diferentes e com um preço bom. Quer levar tudo! Para nós, para a família e amigos.
Confesso que em vinte anos de voo nunca aprendi a arrumar uma mala direito como já vi colegas fazerem com maestria.
Certa vez em um desses voos para Miami eu comprei mais do que deveria. Na hora de arrumar as malas não conseguia acomodar minhas compras e fui ficando desesperada.
Liguei para o quarto de uma colega pedindo socorro. Ela veio e em menos de dez minutos conseguiu acondicionar todas as tranqueiras que eu tinha comprado! Fiquei muito agradecida e impressionada com esse dote que eu nunca tive.
Com o tempo aprendemos alguns macetes, como tirar coisas das embalagens e dobrar as mesmas de modo a aproveita-las depois, colocar uma coisa dentro da outra para ganhar espaço, otimizar os cantinhos da mala com coisas que não quebram nem amassam. Mas nunca atingi a perfeição!
A medida que o tempo passa a gente fica mais seletivo com as compras. Pensamos duas vezes antes de levar algo, questionamos se realmente vale a pena levar aquela toalha de banho linda e com preço ótimo, mas que vai ocupar metade da mala. Às vezes funciona. Às vezes a gente compra assim mesmo. rsrs
A mala maior é usada em voos internacionais pelo tempo que passamos fora e pelo fato de que no inverno temos que levar roupas mais volumosas.
As empresas não permitem que tripulantes portem malas diferentes daquelas que eles dão. Também é proibido ao tripulante portar objetos fora da mala tipo sacolas ou coisas grandes demais para caber nas mesmas. Então a gente tem que se virar com o espaço que nos permitem.
Meus primeiros voos para Miami foram uma orgia de compras desenfreada! Tudo que eu via eu achava que precisava e tinha que ter, e confesso que muitas das coisas compradas no calor do momento se revelaram sem qualquer utilidade prática e acabaram jogadas num canto e se não encontrasse ninguém para doar iam para o lixo.
Normal. A gente fica como criança em loja de brinquedos tamanha a variedade de coisas diferentes e com um preço bom. Quer levar tudo! Para nós, para a família e amigos.
Confesso que em vinte anos de voo nunca aprendi a arrumar uma mala direito como já vi colegas fazerem com maestria.
Certa vez em um desses voos para Miami eu comprei mais do que deveria. Na hora de arrumar as malas não conseguia acomodar minhas compras e fui ficando desesperada.
Liguei para o quarto de uma colega pedindo socorro. Ela veio e em menos de dez minutos conseguiu acondicionar todas as tranqueiras que eu tinha comprado! Fiquei muito agradecida e impressionada com esse dote que eu nunca tive.
Com o tempo aprendemos alguns macetes, como tirar coisas das embalagens e dobrar as mesmas de modo a aproveita-las depois, colocar uma coisa dentro da outra para ganhar espaço, otimizar os cantinhos da mala com coisas que não quebram nem amassam. Mas nunca atingi a perfeição!
A medida que o tempo passa a gente fica mais seletivo com as compras. Pensamos duas vezes antes de levar algo, questionamos se realmente vale a pena levar aquela toalha de banho linda e com preço ótimo, mas que vai ocupar metade da mala. Às vezes funciona. Às vezes a gente compra assim mesmo. rsrs
sábado, 1 de setembro de 2012
A primeira mala a gente nunca esquece...
Essa foi a minha primeira mala de tripulante. Na verdade eram duas, uma maior que a gente levava em voos internacionais e ia no porão do avião e uma menor que ia conosco na cabine.
Lembro bem do dia em que eu as "conquistei". Naquela época (1985) não existiam escolas de formação de comissários. A empresa que nos contratava fornecia todo o treinamento, que fazíamos com a carteira já assinada como aluno-comissário, ganhando um salário que era uma ajuda de custo (no meu caso 1 salário mínimo vigente), e com a condição de que na primeira pisada de bola seríamos desligados sumariamente.
O curso teve duração de 3 meses, das 8 da manhã às 5 da tarde, de segunda a sexta sob fiscalização de dar inveja à Gestapo. Qualquer vacilo era motivo para uma advertência: chegar atrasado, estar sem batom, cabelos desarrumados, barba por fazer, falar alto nos intervalos ou qualquer comportamento considerado inadequado para a postura de um futuro comissário. Chegar atrasado então equivalia a uma sentença de morte! Na segunda reincidência não tinha perdão!
Também não escapamos da famigerada prova para obter a licença de voo. A única diferença é que naquela época a banca não era ANAC, ainda era DAC (Departamento de Aviação Civil). A prova era múltipla escolha, com direito a Coronel do DAC devidamente paramentado sentado na mesa, instrutores fazendo papel de fiscal e muito nervosismo. O nervosismo era por saber que quem não passasse na prova seria automaticamente desligado do curso e da empresa. Ou seja: ou você passava ou era Rá, Ré, Ri, Ró, Rua!!!
Depois de uma semana de noites mal dormidas e muita ansiedade (na época não tinha essa moleza de resultado on-line não!), recebemos a notícia de que toda a turma havia passado. Foi uma alegria geral!
A prova aconteceu mais ou menos na metade do curso. Depois da aprovação, éramos oficialmente comissários. O próximo passo para nos sentirmos assim por completo era pegar o uniforme. Devo dizer que a entrega do uniforme tinha para nós muito mais importância do que a aprovação na banca do DAC. Era um sonho realizado. Sentir o gostinho de literalmente "vestir a camisa" da empresa era tudo de bom!
Todos os dias durante uma determinada semana era chamado um grupo de uns cinco ou seis alunos para ir ao setor de uniformes experimentar as roupas e pegar todas as peças. A chamada era por ordem alfabética, e eu com nome começado com L já estava em cólicas para chegar a minha vez.
Finalmente chegou o dia. Lá fui eu experimentar saia, blazer, collants, etc. Peguei dois conjuntos de saia e blazer, vários collants de cores diferentes, lenço, sapato, sapatilha, manteau para usar no inverno, cardigan para usar por cima do jumper, espécie de vestido que usávamos a bordo para servir, meias finas, a asinha dourada com a figura de Icaro que era nosso distintivo, bolsa e as duas malas. Saí de lá com as malas abarrotadas.
Eram de madeira pintadas de azul com o símbolo Varig. Por dentro eram forradas de cetim azul. Não tinha carrinho embutido como as malas mais modernas. Até para a época elas já estavam meio demodé. Eram pesadas, mas muito mais resistente do que as malas de hoje. Aguentavam qualquer parada!
Não me cansava de olhar para as minhas malas! De vez em quando abria e ficava olhando as roupas do uniforme, me imaginando já vestida e trabalhando.
Com o tempo percebi que o a parte interna de cetim do tampo da mala era usado para pregar fotos da família, adesivos que ganhávamos, pins e bottons, imagens, amuletos ou qualquer coisa que pudesse nos fazer companhia quando estávamos sozinhos nos hotéis de pernoite. Era nossa personalização, nossa referência, nossa segunda casa.
Apesar de ser proibido, também colávamos adesivos na parte externa das malas. Não só para dar nossa personalidade a ela, mas também para facilitar sua localização num mar de malas de tripulantes. Se algum intrutor falava alguma coisa, a gente retirava os adesivos externos por algum tempo e depois colava outros.
Tenho até hoje as duas. Apesar de ser obrigatória a devolução quando íamos pegar novas peças, muitos de nós não devolviam, alegando que iam trazer depois.
Não me arrependo nem um pouco. As duas malas grandes (consegui ficar com duas!) hoje guardam enfeites de Natal e outras tranqueiras. A pequena guarda revistas antigas, e está com os mesmos enfeites no tampo da época em que ela era minha companheira de viagens. Olhar para ela já é uma viagem!
Daqui a alguns anos devem estar valendo um dinheirinho por ser antiguidade. Mas eu não vendo por nada. Para mim elas não tem preço!
Lembro bem do dia em que eu as "conquistei". Naquela época (1985) não existiam escolas de formação de comissários. A empresa que nos contratava fornecia todo o treinamento, que fazíamos com a carteira já assinada como aluno-comissário, ganhando um salário que era uma ajuda de custo (no meu caso 1 salário mínimo vigente), e com a condição de que na primeira pisada de bola seríamos desligados sumariamente.
O curso teve duração de 3 meses, das 8 da manhã às 5 da tarde, de segunda a sexta sob fiscalização de dar inveja à Gestapo. Qualquer vacilo era motivo para uma advertência: chegar atrasado, estar sem batom, cabelos desarrumados, barba por fazer, falar alto nos intervalos ou qualquer comportamento considerado inadequado para a postura de um futuro comissário. Chegar atrasado então equivalia a uma sentença de morte! Na segunda reincidência não tinha perdão!
Também não escapamos da famigerada prova para obter a licença de voo. A única diferença é que naquela época a banca não era ANAC, ainda era DAC (Departamento de Aviação Civil). A prova era múltipla escolha, com direito a Coronel do DAC devidamente paramentado sentado na mesa, instrutores fazendo papel de fiscal e muito nervosismo. O nervosismo era por saber que quem não passasse na prova seria automaticamente desligado do curso e da empresa. Ou seja: ou você passava ou era Rá, Ré, Ri, Ró, Rua!!!
Depois de uma semana de noites mal dormidas e muita ansiedade (na época não tinha essa moleza de resultado on-line não!), recebemos a notícia de que toda a turma havia passado. Foi uma alegria geral!
A prova aconteceu mais ou menos na metade do curso. Depois da aprovação, éramos oficialmente comissários. O próximo passo para nos sentirmos assim por completo era pegar o uniforme. Devo dizer que a entrega do uniforme tinha para nós muito mais importância do que a aprovação na banca do DAC. Era um sonho realizado. Sentir o gostinho de literalmente "vestir a camisa" da empresa era tudo de bom!
Todos os dias durante uma determinada semana era chamado um grupo de uns cinco ou seis alunos para ir ao setor de uniformes experimentar as roupas e pegar todas as peças. A chamada era por ordem alfabética, e eu com nome começado com L já estava em cólicas para chegar a minha vez.
Finalmente chegou o dia. Lá fui eu experimentar saia, blazer, collants, etc. Peguei dois conjuntos de saia e blazer, vários collants de cores diferentes, lenço, sapato, sapatilha, manteau para usar no inverno, cardigan para usar por cima do jumper, espécie de vestido que usávamos a bordo para servir, meias finas, a asinha dourada com a figura de Icaro que era nosso distintivo, bolsa e as duas malas. Saí de lá com as malas abarrotadas.
Eram de madeira pintadas de azul com o símbolo Varig. Por dentro eram forradas de cetim azul. Não tinha carrinho embutido como as malas mais modernas. Até para a época elas já estavam meio demodé. Eram pesadas, mas muito mais resistente do que as malas de hoje. Aguentavam qualquer parada!
Não me cansava de olhar para as minhas malas! De vez em quando abria e ficava olhando as roupas do uniforme, me imaginando já vestida e trabalhando.
Com o tempo percebi que o a parte interna de cetim do tampo da mala era usado para pregar fotos da família, adesivos que ganhávamos, pins e bottons, imagens, amuletos ou qualquer coisa que pudesse nos fazer companhia quando estávamos sozinhos nos hotéis de pernoite. Era nossa personalização, nossa referência, nossa segunda casa.
Apesar de ser proibido, também colávamos adesivos na parte externa das malas. Não só para dar nossa personalidade a ela, mas também para facilitar sua localização num mar de malas de tripulantes. Se algum intrutor falava alguma coisa, a gente retirava os adesivos externos por algum tempo e depois colava outros.
Tenho até hoje as duas. Apesar de ser obrigatória a devolução quando íamos pegar novas peças, muitos de nós não devolviam, alegando que iam trazer depois.
Não me arrependo nem um pouco. As duas malas grandes (consegui ficar com duas!) hoje guardam enfeites de Natal e outras tranqueiras. A pequena guarda revistas antigas, e está com os mesmos enfeites no tampo da época em que ela era minha companheira de viagens. Olhar para ela já é uma viagem!
Daqui a alguns anos devem estar valendo um dinheirinho por ser antiguidade. Mas eu não vendo por nada. Para mim elas não tem preço!
Se minha mala falasse teria muitas histórias para contar...
sábado, 16 de junho de 2012
Estão me clonando!!!
Tá, eu sei que na internet nada se cria, tudo se copia. Também sei que não tenho direitos autorais de nada do que aqui escrevo, pois são experiências comuns a todo o grupo de voo.
Todo tripulante tem histórias parecidas, casos engraçados, pitorescos, tensos... E o que faço aqui é relatar minhas experiências, dar algumas dicas, escrever sobre comportamentos, sobre a rotina da profissão, sobre os tipos de passageiros. Nada demais. Não pretendo inventar a roda.
Mas o plágio puro e simples do meu humilde blog, inclusive da introdução, com a estrofe devidamente creditada aos Paralamas do Sucesso É MUITA CARA DE PAU!!!
Sempre achei que tripulantes fossem pessoas criativas e cheias de imaginação. Faz parte do perfil da profissão devido à enorme gama de pessoas e culturas diferentes a que temos acesso. A aviação é repleta de histórias. Divertidas, emocionantes, comoventes e tristes.
Será que dá tanto trabalho escrever coisas novas sem plagiar os outros?
Assim como Santos Dumont fez com seus inventos, criei esse blog para deixa-lo à disposição daqueles que quiserem ler, pesquisar, tirar dúvidas, etc. Mas apesar de ser muito prazeroso escrever aqui, o trabalho criativo demanda esforço e tempo, e fico chateada ao perceber que pessoas que não querem ter esse trabalho simplesmente copiam sem dar os devidos créditos.
But I'm a grown up girl! Não vou deixar de dormir por causa disso!
Todo tripulante tem histórias parecidas, casos engraçados, pitorescos, tensos... E o que faço aqui é relatar minhas experiências, dar algumas dicas, escrever sobre comportamentos, sobre a rotina da profissão, sobre os tipos de passageiros. Nada demais. Não pretendo inventar a roda.
Mas o plágio puro e simples do meu humilde blog, inclusive da introdução, com a estrofe devidamente creditada aos Paralamas do Sucesso É MUITA CARA DE PAU!!!
Sempre achei que tripulantes fossem pessoas criativas e cheias de imaginação. Faz parte do perfil da profissão devido à enorme gama de pessoas e culturas diferentes a que temos acesso. A aviação é repleta de histórias. Divertidas, emocionantes, comoventes e tristes.
Será que dá tanto trabalho escrever coisas novas sem plagiar os outros?
Assim como Santos Dumont fez com seus inventos, criei esse blog para deixa-lo à disposição daqueles que quiserem ler, pesquisar, tirar dúvidas, etc. Mas apesar de ser muito prazeroso escrever aqui, o trabalho criativo demanda esforço e tempo, e fico chateada ao perceber que pessoas que não querem ter esse trabalho simplesmente copiam sem dar os devidos créditos.
But I'm a grown up girl! Não vou deixar de dormir por causa disso!
quarta-feira, 30 de maio de 2012
31 de Maio - Dia do Comissário
Quem de nós nunca se sentiu assim pelo menos uma vez? No topo da escada, no topo do mundo, voando alto??? Quem de nós nunca se achou? E de fato a gente É!!!!
Feliz dia, comissários, comissárias, aeromoças, aerovelhas, aeroaspirantes!!! Que o céu não tenha limites!
Que a gente continue voando cada vez mais alto, mesmo com os pés na terra!
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