"Pensei que era moleza mas foi pura ilusão
Conhecer o mundo inteiro sem gastar nenhum tostão"
(Melô do Marinheiro - Os Paralamas do Sucesso)
Esse blog é dedicado a todos que voam, que já voaram e que sonham em voar!





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domingo, 21 de abril de 2013

Um minuto de silêncio

É, infelizmente demorou mas chegou às aeronaves o que esse povo já faz nos onibus e trens há muito tempo. Quando eu digo que não adianta aumentar o poder aquisitivo e não melhorar a educação as pessoas acham que eu sou elitista.
 Gentalha, gentalha, gentalha! Não se preocupam com o patrimônio público porque "não é deles mesmo" e também porque "todo mundo faz".
Não se dão conta que a porcariada que deixaram para trás terá que ser limpa por um coitado que provavelmente não ganha de salário o que essa criatura pagou pela passagem.

E vocês estão pensando que foi só o nível dos passageiros que baixou??? Nana nina nãããooo!!!!
Isso foi escrito em um jump seat, com termos conhecidos por comissários e não por passageiros. BOB significa buy on board, em referência ao serviço de bordo pago.
Talvez seja melhor assim. Para os passageiros que serão atendidos por gente do mesmo nível e para os comissários que não ficarão chocados com a falta de educação alheia, já que tiveram a mesma criação.

E antes que alguém venha com mimimi que tem coisas mais importantes para se preocupar, como o desvio do dinheiro público, a corrupção, as crianças famintas da Africa, etc. etc. eu só digo isso: as coisas não são  mutuamente excludentes, ou seja, quem se preocupa com a corrupção não pode se preocupar com outras coisas. E esse blog trata de aviação e é dedicado àqueles que voam, que já voaram e que desejam voar. Portanto o assunto em pauta é muito pertinente!

#xatiada eu???? Imagina! Eu estou é PUTA DENTRO DAS CALÇAS MESMO!!!

domingo, 30 de dezembro de 2012

Mistérios da aviação

A porta do banheiro do avião e seus mistérios... 
Como abrir? Por que passamos a sofrer de oligofrenia diante dela? Por que nossos olhos não focalizam a maçaneta? Por que nossa mente se desorganiza diante dessa porta? 
Ilusionismo? Auto-sugestão? Paranormalidade? Ou imbecilidade pura e simples?


Quem já voa passou por essa situação incontáveis vezes. Quem quer voar, é bom ir se preparando. Nossos queridos passageiros quando embarcam no avião deixam a cabeça no solo!


Fonte: Aeromoça Indelicada-Facebook

sábado, 8 de dezembro de 2012

Voando no Natal

A escala de Dezembro já deve ter saído para a maioria dos tripulantes. Se não fizeram a cachorrada de publicar só a primeira quinzena e deixar todo mundo roendo as unhas por mais uma semana.

Voar nas festas de fim de ano é um dos pontos negativos da profissão. Por mais que você se diga desapegado de família e datas comemorativas, ser obrigado a passar o Natal com desconhecidos não é exatamente o melhor programa. Bate aquela sensação de cão sem dono. Enquanto todo mundo faz planos, seja para estar com a família e amigos, seja para viajar para um lugar distante por opção, o tripulante está à mercê da programação que a escala de voo apresenta.

É verdade que o critério senioridade é levado em conta na hora de conceder as folgas de Natal e Ano Novo. Mas com tantos pedidos e choradeiras, às vezes isso não é possível e não é tão raro o "novinho" ganhar folga nas festas e o "antigão" voar Natal e Ano Novo. E aí não adianta chorar.

Já passei mais de um Natal voando, e Ano Novo também. Nem sempre feliz da vida, nem sempre com quem eu queria estar. Faz parte. É o outro lado do glamour.

Desejo a todos que vão estar trabalhando esse final de ano, um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de prosperidade!!! E que encontrem Papai Noel pelos céus do mundo!

Para aqueles que desejam voar, espero que em 2013 seu desejo se realize e vocês estejam engrossando a fileira dos ansiosos pela escala de Dezembro.

Para os que perderam as asas, desejo que Papai Noel traga logo um novo par de asas, mais lindo e mais potente do que o antigo, para poder voar mais longe!


sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

10 coisas que um comissário de bordo não deve fazer


   Como eu ando sem tempo para postar, deixo esse video engraçado para vocês se divertirem. A número 6 quase aconteceu comigo mais de uma vez! kkkk

Prometo que assim que eu me desenrolar do treinamento que eu estou preparando, voltarei com novas postagens.

sábado, 26 de novembro de 2011

Dezembro: mês oficial do stress!

Os últimos dias do mês de Novembro são de muita ansiedade para os tripulantes. O motivo de tanto choro e ranger de dentes é a espera da publicação da escala do mês de Dezembro.

De acordo com a regulamentação do aeronauta, a escala mensal de voo deve ser publicada com uma antecedência mínima de dois dias antes do primeiro dia do mês posterior. Isso significa que a escala de Dezembro deve ser publicada no máximo até a manhã do dia 29 de Novembro.

Como Dezembro é mês der alta temporada, muitos voos extras, mudanças de última hora na programação, etc. e tal, é certeza de que a escala vai sair no último minuto!

O  motivo de tanta expectativa são as festas de fim de ano. "Onde estarei no Natal?" "E no Ano Novo?" Por mais que as pessoas se digam desapegadas das tradições familiares, que não ligam para Natal, que não se incomodam em ficar longe da família, na hora H percebem que as coisas não são bem assim.

Uma coisa é você passar as festas longe da família por opção sua. Ir para um lugar de sua escolha, estar com pessoas que você escolheu, ou até mesmo ficar sozinho, mas por vontade própria.
Outra bem diferente é passar essas datas em locais que foram determinados, com pessoas que não foram escolhidas por você.

Nós podemos até tentar entrar no clima do elemento surpresa: "Legal! Sem problemas! O resto da tripulação também vai estar sozinho, a gente se reúne e comemora!"
Mas pode acontecer de nem todo mundo estar na mesma vibe... E você passar sua noite assistindo ao especial de Natal do Roberto Carlos pela TV no seu quarto de hotel. Se estiver no Brasil.

Os mais descolados não se apertam e saem sozinhos mesmo. Esquecendo-se de que para o resto das pessoas aquelas datas são passadas em família, e com isso os lugares que em dias normais são badalados, naquelas datas vão estar às moscas com meia dúzia de gatos pingados enjeitados.

As empresas de grande porte geralmente permitem que o tripulante escolha uma data para folgar. Natal ou Ano Novo. Quem escolhe o Natal voa no Ano Novo, e vice versa. Mas não é cem por cento garantido do tripulante ganhar a folga solicitada! Quem tem pouco tempo de casa corre grande risco de voar nas duas datas. E mesmo os "antigões", por algum erro de escala podem não ter os pedidos atendidos.

Muito pior do que estar voando nessas datas é estar de reserva! Aí é tortura em alto grau! Não se sabe se vai ou se fica e não pode planejar nada com ninguém.

Depois da escala publicada não adianta chorar! Pode xingar, bater boca com a escala, dizer que foi injustiçado, etc. Pode até tentar trocar com alguém, mas vai ser difícil!

Enfim, faz parte! O stress que o tripulante sofre já foi comentado no post  Vai começar a pauleira.  Quem escolhe esse caminho não escolhe apenas uma profissão. Escolhe também um modo de vida. Você pode optar entre ficar estressado ou relaxar e deixar fluir. Se você quiser ser feliz na sua escolha de vida, eu aconselho a segunda opção.

Nos próximos posts, em homenagem à essa época natalina, escreverei sobre as festas de fim de ano que eu passei voando.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Momentos saia justa

A amiga pergunta: -Vamos ao cinema amanhã?
-Amanhã não vai dar. Estou indo voar.
-Vai pra onde?
-Paris.
-Mas você é muito metida mesmo, né? Fica esnobando a gente! Nojenta!
Tipo de situação que eu sempre detestei! Para que pergunta se não quer saber a resposta, cacete! Várias vezes eu pensei em mentir e dizer que ia para Macapá ou coisa que o valha. Mas vai que alguém me achasse metida também... Melhor metida do que mentirosa.

Acordar das profundezas de um sono em um quarto de hotel escuro e não se lembrar de aonde você está. Vários segundos se passam até o cérebro pegar no tranco e colocar os sentidos para funcionar. Olfato, tato, audição. Segundos que parecem horas até você encontrar o interruptor e acender alguma luz.
Bem vindo ao jet lag!

O que fazer quando se está servindo um copo de Coca Cola a um passageiro, o primeiro copo de uma garrafa Pet de dois litro, e a garrafa escapa da sua mão, cai de "bunda" no chão e o líquido explode tal qual champagne em comemoração de vitória da Fórmula Um, dando um banho no passageiro?
Desejar uma despressurização explosiva para mudar o foco do momento? Tentar abrir a porta da aeronave para se jogar de lá de cima? Implorar desculpas?
Optei pela última. E por sorte o passageiro era uma criatura iluminada, dessas que são difíceis de se encontrar e acabou até achando graça da minha cara de desesperada.
Milagres acontecem...

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A bordo da Webjet

Quando eu falei que ia viajar de Webjet os comentários das pessoas foram mais ou menos assim: "Nossa, você tem coragem?" ou "Vai passar fome! Agora o serviço de bordo é todo pago!" ou ainda "Os assentos não reclinam, você vai chegar moída!"


As duas últimas frases são verdade. O serviço de bordo é nos moldes das companhias aéreas de baixo custo da Europa e Estados Unidos. Quer comer? Então tem que pagar. Até a água é cobrada. Os assentos não reclinam porque foram acrescentadas mais fileiras de assentos no avião para aumentar sua capacidade. Também seguindo os padrões das companhias aéreas de baixo custo da Europa e Estados Unidos.

O que eu não entendo é o povo brasileiro, que vive alardeando que tudo no "primeiro mundo" é melhor, as empresas aéreas estrangeiras é que são maravilhosas, que o Brasil é isso, que o Brasil é aquilo. Mas na hora de meter a mão no bolso para pagar uma lata de refrigerante, reclama! Se fosse na Europa iriam achar finíssimo!

Quanto a mim, avião é apenas um meio de transporte. Quando eu quero comer vou a um restaurante. E pago por isso.
As poltronas que não reclinam são incômodas em voos mais longos. Mas em etapas de uma hora e pouco dá para aguentar. Então isso também não foi problema.

Quanto à coragem de usar uma companhia aérea que foi recentemente vendida e que a manutenção nunca foi lá essas coisas eu confesso que contei com  a proteção do meu anjo da guarda e com a intuição que aquela ainda não era a minha hora.

Coragem mesmo quem tem são os comissários. Eles trabalham em três, num avião de quatro portas com quase cento e cinquenta assentos. Numa emergência eles vão ter mostrar rapidez, entrosamento e muita, mas muita coragem!

Perguntei a eles como ficará a situação com a venda da Web para a Gol. Ninguém ainda sabe. É uma incógnita. Perguntei também como é trabalhar com um comissário a menos. Quando o voo é tranquilo não tem problema, mas em certos voos o pau come.

Em relação ao serviço de bordo pago, no princípio os passageiros ficaram indignados. Muitas reclamações e dedos na cara, mas depois se acostumaram.

Com todos esses problemas não vi ninguém de cara feia, tenso ou mal educado. Pelo contrário. Trabalhavam  tranquilos, eram simpáticos com os passageiros. Não usavam aquela fraseologia padrão e um tanto forçadas que a gente escuta nas aeronaves.

Eu sei o quanto custa trabalhar com um sorriso no rosto quando a empresa que paga o seu salário está indo para o buraco. E quanto custa manter esse sorriso quando as condições de trabalho são adversas.
Isso é que faz a diferença do bom para o mal profissional. E espero sinceramante que todo esforço desses profissionais seja recompensado.

domingo, 10 de julho de 2011

Web Gol

A Gol anuncia interesse em comprar a Web Jet. Para mais detalhes clique aqui.

Vejo um duopólio se formando no horizonte... De um lado a Tam que já é a primeira no mercado. Do outro a Web Gol, ou seja lá qual vai ser o nome.

Acho que já vi esse filme... Em aviação nada se cria, tudo se repete.

Mais do que isso, eu vejo duas tendências. De um lado a Tam com a filosofia de atendimento voltada para o cliente "diferenciado". Passagens mais caras, tratamento mais "vip".
De outro a Web Jet e Gol querendo se firmar no mercado mais popular, fazendo da aviação um meio de transporte acessível aos calégatudo!
Apartheid aéreo! rsrs

No meio disso e correndo por fora tem a Avianca, que se cumprir a promessa de um atendimento nos moldes dos de antigamente, com um serviço de bordo comme il faut e aeronaves mais espaçosas vai ser um ótimo diferencial no mercado.

Também tem a Azul, que por ser pequena ainda não incomoda tanto, mas por isso mesmo pode se transformar numa "grandona" antes que os concorrentes percebam.

Para os futuros profissionais da área o ideal é que tenham muitas opções. Quanto mais melhor. Por isso eu acho que essa história de ficar juntando uma com outra não tem nada a ver.

sábado, 2 de julho de 2011

Enquanto isso na Azul Linhas Aéreas...



Semana passada, dia de nevoeiro intenso em São Paulo e Rio de Janeiro, como é comum nessa época do ano.
Dia de aeroportos fechados por condições metereológicas. Dia de stress para todos que trabalham em aviação, principalmente agentes de aeroporto e tripulantes, que são aqueles que tem que passar óleo de peroba na cara e botar a mesma para bater.

Dia de passageiros estressados nos mais diversos graus, botando para fora seus instintos mais baixos, sem querer nem saber se a culpa do atraso é de São Pedro ou não. Eles querem é chegar ao destino de qualquer jeito, não importa como.

Embarque tumultuado em São Paulo depois de muitas horas de espera para o voo com destino ao Rio. Um casal com uma criança de colo reclama com a comissária que marcaram lugares separados para eles e pedem para sentar juntos.

A comissária se dirige a um passageiro sentado sozinho na primeira fileira de poltronas:
- Com licença. Será que o senhor poderia trocar de assento para esse casal com a criança poder sentar juntos?
Passageiro: - Só se tiver assento na janela.
Comissária: - Um momento.
Volta pouco depois.
- Senhor, tem um assento na janela um pouco mais atrás.
Passageiro: - É no Espaço Azul?
Comissária: - Não.
Passageiro: - Então eu não troco.
Comissária: - Obrigada, senhor.

O casal reclama mais um pouco e no final viaja separado mesmo. O homem vai sozinho na fileira de poltronas do Espaço Azul.

Mas o que é o Espaço Azul e por que ele é tão imprescindível?
Espaço Azul é o nome criado para denominar dezesseis poltronas do avião com alguns centímetros a mais de espaço para esticar as pernas. Sim você já leu isso por aqui, no post Assento conforto.

O passageiro, no ato da reserva pode solicitar um assento no Espaço Azul pagando uma diferença de R$30,00 no preço do bilhete.
As poltronas comuns tem 79cm de espaço entre elas. As poltronas "nobres" do Espaço Azul tem 86cm. O passageiro paga por 7(sete) centímetros a mais!
Você duvida? Então clique aqui.



Está aberto o debate. Na sua opinião quem está errado nessa história?

O passageiro, que foi mesquinho ao se recusar a ceder seu assento para o casal com uma criança de colo?
Afinal era um voo de quarenta minutos, será que faria tanta diferença assim os sete centímetros a mais para tão pouco tempo? O que custava ele fazer a gentileza?

O casal, que poderia muito bem viajar separado numa viagem de quarenta minutos e ninguém morreria por causa disso? Afinal o voo já estava bastante atrasado, para que causar mais problemas? Além do mais o cidadão pagou 30 reais de diferença para ter o direito de sentar lá.

As empresas aéreas,que na ganância por mais dinheiro sub-locam a classe econômica inventando assentos diferenciados numa mesma cabine e criam estratégias de marketing visando botar lenha na fogueira de vaidades que existe dentro de cada ser humano, fazendo-os acreditar que 30 reais farão deles pessoas "diferenciadas"?

Acreditem, queridos leitores, é muito fácil massagear o ego de um passageiro. Apesar deles se avaliarem por muito, acabam se vendendo por bem pouco. Às vezes por sete centímetros a mais para esticar as pernas. Outras vezes por um bombom Sonho de Valsa.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Vai começar a pauleira...

Vem aí as férias de meio de ano, época em que muita gente viaja. Não apenas os brasileiros, mas também os gringos de toda parte, pois é o início das férias de verão no Hemisfério Norte e a galera aproveita para voar.

Para os comissários é a época da pauleira. Escala apertada, voando mais do que urubu, no limite da regulamentação (em alguns casos estourando os limites...).
Aqueles dias tranquilos na serra ou na praia com a família ou amigos, pode esquecer! A viagem ao Nordeste, a Buenos Aires ou alhures só se for a pé, tripulando o avião.

É a época dos menores desacompanhados que os pais despacham nos voos para a casa da vovó, do papai, da mamãe, etc. aos cuidados dos comissários.
É a época da classe média emergente ir se deslumbrar na Disney, em Nova York, Paris e Madrid. E na volta da viagem brindar os amigos com centenas de fotos, horas de filmagem, histórias, impressões e comentários nem sempre ortodoxos sobre os lugares por onde passaram.

Temporada de voos atrasados porque os aviões operam no limite, de overbooking e de passageiros estressados pela longa espera e pela frustração de não conseguir embarcar.
E você, colega comissário tem duas opções para enfrentar tudo isso. Ou engrossa a fileira dos estressados ou segue o conselho lapidar da ex-ministra do Turismo: relaxa e goza!

Aproveite para pagar seus pecados e não precisar voltar ao plano terrestre tão cedo. E quando retornar à matéria nascerá rico, lindo, inteligente, charmoso e com aeronave própria para não passar por esse stress todo.

Mas se você não é do tipo espiritualizado, encare isso como um aprendizado para se tornar um ser humano melhor. Ah, filosofia também não é sua praia?  Então o melhor é levar na esportiva, respirar fundo e contar até mil porque uma hora tudo isso vai passar. Até começar a pauleira de final de ano...

OUWWMMMMMMM....
OUUWWMMMMMMM....
QUESACOWWWWMMMMM....
VOU MATARUMMMMMMM...
MESEGURAOUWWWMMMMM.....

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Assento conforto

Cheguei ontem de viagem. Fui e voltei pela Tam. Apesar de ser um voo curto de menos de uma hora, é sempre bom estar no ar novamente. Se bem que viajar de graça é melhor. Tenho saudades do tempo em que eu embarcava no avião como se fosse minha casa. Ia na galley cumprimentar os colegas, na cabine de comando dar um oi para o comandante.
Agora é como se eu fosse uma visita de cerimônia, mas valeu mesmo assim.

Quando estou a bordo como passageira faço o gênero blasè. Não me apresento aos comissários como colega, principalmente porque a companhia aérea não é a "minha". Não puxo assunto nem forço intimidade porque sei que não é de bom-tom vindo de uma desconhecida.
Fico sentada quietinha só observando. Sou aquela passageira invisível com cara de paisagem, mas que não deixa passar nada. Um perigo!

Nessa viagem pude observar a mais nova modalidade dos "gênios" do marketing que as empresas aéreas contratam a peso de ouro para criar cag... ops, idéias: o Assento Conforto!
"Assento conforto" foi o nome criado para aqueles assentos situados na primeira fileira e nas saídas de emergência sobre a asa, com alguns poucos centímetros a mais de espaço para esticar as pernas.

Esses lugares "privilegiados" costumavam ser disputados no tapa por passageiros mais frequentes que já conheciam os "macetes" e chegavam no check-in exigindo: "Eu quero assento na saída de emergência!"
E ao serem informados que tais assentos não estavam mais disponíveis porque outros chegaram na sua frente ficavam resmungando e ameaçando fazer e acontecer.

Pois bem, senhores passageiros, como diriam as Organizações Tabajara: Seus problemas acabaram!!!
Agora por uma módica diferença no preço do seu bilhete você terá direito a seu assento conforto sem ter que se matar por isso!

No cabeçote dessas poltronas já vem demarcado: "Assento Conforto" que é para não deixar dúvidas. Meu voo estava com poucos passageiros, tanto na ida como na volta. Terminado o embarque como é de praxe os passageiros começaram a se reacomodar, procurando melhores lugares para fazer a viagem.

Naturalmente os assentos conforto foram prontamente ocupados por dois rapazes, que foram prontamente retirados de lá pela comissária que lhes explicou educadamente que para sentarem lá teriam que pagar a diferença do preço da passagem.

Dois minutos depois mais dois rapazes ocuparam os assentos, ou porque não viram o que aconteceu ou por que davam uma de "joão-sem-braço".
Novamente a mesma comissária fez o mesmo discurso e eles tiveram que sair de lá. E a viagem foi feita com os assentos conforto vazios.

Fiquei imaginando como seria se pegassem pela frente um passageiro "carne de pescoço" dizendo que dali não sairia nem a pau.
Chamariam a segurança para retira-lo do avião provocando atraso no voo? E se já tivessem decolado, a Policia Federal seria acionada no desembarque para autuar o cidadão pelo crime de sentar indevidamente no Assento Conforto?

Uma boa estratégia de marketing seria dar desconto no bilhete de quem optasse por sentar nos malditos e famigerados assentos do meio. Talvez isso acalmasse os ânimos de uns e outros como o tal jornalista Tessler.
Mas como eu sei que isso é pouco provável de acontecer, creio que o próximo passo dos gênios do marketing será criar tarifas diferenciadas para os assentos da janela e do corredor.
Como se chamariam tais assentos? Assentos Diferenciados? Assentos Plus? Assentos Mais Você? rsrs

Aceitamos sugestões!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Na boca do sapo

Passei o final de semana sendo informada via Facebook e outros sites de relacionamento sobre uma matéria de um jornalista chamado Eduardo Tessler sobre tripulantes que viajam usando os passes a que tem direito.
A matéria se chama Os caroneiros dos ares e se você quer ver até onde a estupidez humana pode ir, essa é uma boa leitura.

Já entrando no mérito da questão, eu já vi esse filme algumas vezes. Infelizmente pouca coisa me surpreende. O que me deixa desanimada é constatar que esse tipo de mentalidade tacanha ainda perdura nos dias de hoje, com todo o acesso que temos a informações, num simples clique do mouse.

Não me surpreende que no Brasil, país de cultura escravagista, existam pessoas que vejam tripulantes ou qualquer outro profissional que lhes sirvam como simples "empregadinhos", e se sintam afrontadas ao ve-los ocupando assentos de passageiros como se fossem iguais a eles. Mas eu pensava que as novas gerações já tinham outra mentalidade. Lêdo engano!

Como esse blog também tem função educativa, vale esclarecer aqui que os "caroneiros" como foram pejorativamente chamados, são aqueles que se utilizam do Passe de Tripulante. O passe existe desde os primórdios da aviação civil, e ao contrário do que muita gente pensa não é "benefício" nem "concessão" da empresa. Ele é um direito adquirido na Convenção Coletiva de Trabalho (Item 65) e está assegurado nos Regulamentos da Profissão de Aeronauta (lei 7183/1984). O passe é diferente das concessões de passagens que as empresas aéreas dão a funcionários e seus familiares. Somente tripulantes podem usar o passe, e regras devem ser observadas. Só embarcam se houver assentos disponíveis e só depois que todos os passageiros estiverem acomodados. A hierarquia é o critério utilizado caso haja mais tripulantes do que assentos disponíveis.

Como atualmente a única base de tripulantes é em São Paulo, apesar do Brasil ser um país de dimensões continentais, muitos tripulantes que moram em outro estado se utilizam do passe para assumir programações ou retornar para casa após a jornada de trabalho.

Fazendo uma análise profissional da matéria, percebo no jornalista um certo despeito. Não vou cair no lugar comum de achar que é despeito da "profissão glamourosa de comissário, que pode viajar, conhecer outros países e ter contato com outras culturas". Seria por demais simplista.
Falo de despeito puro e simples. Inveja do ser humano, não da profissão que ele exerce.

Esse sentimento fica patente quando ele se refere ao copiloto gordo e risonho. Mesmo sendo gordo ele ainda sorri! Olha que afronta!

Quando ele cita os "amigos do comissário" cai em contradição. Primeiro fala do "discreto contato do comissário de vez em quando". Em seguida afirma que passou "12 horas escutando conversa de bêbado".
Ora bolas, decida-se! O contato é discreto e de vez em quando ou é constante e inconveniente?

Como comissária que fui e sempre serei, prezo muito a segurança. Por isso sinto-me na obrigação de recomendar fortemente ao Sr. Tessler que evite utilizar aeronaves brasileiras (talvez seja melhor incluir as estrangeiras também) pelos próximos seis meses pelo menos. Para sua própria segurança e a dos demais passageiros que estarão no mesmo voo. Calculo que esse seja o tempo mínimo necessário para a poeira baixar e o assunto sair de pauta, embora não totalmente esquecido.
Os romanos já sabiam há séculos que não se deve destratar aqueles que te servem comida e bebida. Sábios os romanos.

Se tiver sorte, logo aparecerá outro da mesma etirpe para atrair a atenção e a ira dos aeronautas e o Sr. Eduardo será relegado a segundo plano, pois gente com mentalidade estreita e preconceituosa é que nem praga, dá em todo lugar.
No futuro, se o Sr. Tessler for vítima constante de líquidos entornados acidentalmente em sua pessoa deve considerar a hipótese do fato não ser assim tããão acidental.

Mas como tudo tem seu lado positivo, o jornalista conseguiu a façanha de provocar uma das maiores mobilizações da classe que eu já vi. Talvez porque ele não se referiu somente a comissários ou somente a pilotos (o que já causaria um grande estrago), ou só a tripulantes da Empresa X ou da Empresa Y.
Ele mexeu com toda a categoria. Mexeu num vespeiro.

Ah, e só para terminar. Meu caro e desinformado jornalista: O avião já perdeu o glamour há muito tempo! Hoje é transporte de massa, de povão mesmo. Bons tempos aqueles em que os passageiros tinham mais educação, e não se sentiam afrontados em dividir uma filera de assentos com um tripulante. Hoje qualquer um pode viajar. Até um póóóbre feito você!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Tudo na vida é passageiro

Menos o motorista, o cobrador e o comissário. 

O passageiro é sempre passageiro. Tem aqueles que acumulam horas e horas de voo, tem os que só viajam nas férias e tem aqueles de primeira viagem. Mas o passageiro nunca será fixo, será sempre passageiro.

Tem aqueles que vão à Disney levando a família. Tem os que vão a Buenos Aires aproveitando o câmbio favorável que inundou a Argentina de brasileiros eufóricos, tem os que vivem na Ponte Aérea a negócios. Tem os sacoleiros que vão a New York renovar o estoque de muamba, e se acham de uma melhor estirpe, afinal não são sacoleiros do Paraguai!
Tem os que aproveitam as promoções do Decolar.com, ou outro site e vão para o Nordeste.
Tem ainda os da classe média emergente que vão a Paris porque acham que ir para a Europa é muito phyno. Enfim, tem de um tudo!
Todos juntos formam uma massa sem rosto.

Passageiros sempre estão ansiosos para embarcar. Fazem fila uma hora antes da chamada do voo, mesmo já tendo os assentos marcados.
Na hora do embarque, os mais afoitos saem esbarrando e atropelando os outros. Parece que estão numa mega-liquidação da Ricardo Eletro. Os mais zen criam raízes no meio do corredor estreito enquanto acomodam pachorrentamente sua bagagem, provocando a ira dos afoitos acima citados.

Brigam para sentar na janelinha, mesmo se o voo é noturno e não dá para ver nada. Os que conseguem, passam o tempo todo se levantando para ia ao banheiro, passando por cima das pernas dos outros.
Se acham super malandros quando afanam talheres, xícaras, travesseiros, fones de ouvido. São como se fossem troféus de guerra.

Os que já viajaram mais de uma vez fazem questão de explicitar isso logo no primeiro momento da conversa: "Da última vez que nós fomos a Paris..." que é para deixar BEM CLARO que houveram outras vezes!
Ou então mostram grande familiaridade com os aeroportos por onde passaram: "...o aeroporto de Milão é muito desorganizado!" ou "...tivemos que ficar quatro horas no aeroporto de Frankfurt por causa da nevasca..."

Os de primeira viagem tentam não dar bandeira. Ficam quietos ou fazem piadinhas sem graça do tipo: "Hehe...Esse avião está sacudindo tanto que mais parece que está numa estrada esburacada!"

O passageiro típico sempre quer a comida que acabou, ou a bebida que não tem: "Tem suco de laranja, de uva e de maçã, mas não tem suco de tamarindo? Que absurdo!"

Os que retornam de Miami tem certa dificuldade em entender o português. Afinal foram sete longos dias numa cidade onde não se vê nenhum cubano, portorriquenho e muito menos brasileiros!
E voltam mortos de saudades do Guaraná. Mesmo que nunca antes tenham dado qualquer valor a essa deliciosa bebida tupiniquin. Mas eles tem que mostrar que são viajados, cosmopolitas e experientes.

Os que voltam da Bahia trazem como troféu o indefectível berimbau, e querem a todo custo acomoda-lo aonde não tem mais espaço nem para uma gaita.

Para botar ordem nessa Babel de asas, foi preciso encontrar um profissional que pudesse controlar as coisas com muito otimismo, paciência e coragem. Alguém que ainda acreditasse que a espécie humana tem salvação.
E assim surgiu o comissário!